UNE responde a acusações dos jornalões



UNE responde a acusações dos jornalões


Dois jornalões resolveram pegar no pé da UNE. O dos Marinhos deu à
matéria sobre os gastos da UNE enorme destaque, na sexta (8/6). No
sábado voltou à carga, dessa vez tratando a construção do prédio da
nova sede da entidade. Afirmam que ela recebeu R$ 30 milhões para
reconstruir o prédio e ainda não iniciou a obra. O presidente da UNE,
Daniel Iliescu respondeu que o início da construção deverá se dar até
11 de agosto deste ano, quando a UNE comemora seus 75 anos de
existência.

Já o Estadão de domingo traz editorial pesadíssimo contra UNE e a
União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), de São Paulo. A
origem das matérias é uma representação do procurador Marinus Marsico
do Ministério Público Federal (MPF) junto ao Tribunal de Contas da
União (TCU). O procurador questiona as prestações de contas ou a
ausência delas em 11 projetos das duas entidades, a maioria da UNE.

No fim de maio, o procurador formalizou representação ao TCU para que
se investigue o uso dos recursos federais repassados à UNE e à UMES,
entre 2006 e 2010. O valor total dos convênios é de R$ 8 milhões,
destinados a projetos que vão da capacitação de estudantes de ensino
médio à realização de duas edições da Bienal de Artes, Ciência e
Cultura da UNE. Os convênios foram firmados com os Ministérios da
Educação, Saúde, Cultura, Turismo e Esporte.

Nota da UNE

Em nota oficial a UNE afirma ser alvo “porque participa da luta
democrática para romper o monopólio que meia dúzia de famílias exerce
sobre a comunicação no Brasil. A UNE está na mira porque demonstra a
necessidade de imediata regulação das responsabilidades dos meios de
comunicação. É importante deixar claro, em respeito a todos os que
acompanham a nossa trajetória de 75 anos de vida, que a UNE não
cometeu irregularidades e não é alvo de investigações de nenhum
tribunal de contas. Se, o pedido de investigação feito pelo procurador
do ministério público junto ao TCU apontar qualquer equívoco em nossa
prestação de contas, – não há provas de que tenha ocorrido – será
fruto de imperícia técnica, mas nunca de má fé”. Diz ainda que, se for
constatado qualquer problema, devolverá o dinheiro.

A UNE também cobra “responsabilidade na veiculação e análise das
informações e esclarecemos que a compra de alguns itens de vestuário
foram feitas para a construção de instalações (artes visuais) e para o
figurino de peças de teatro, atividades da Bienal da UNE, o maior
festival estudantil da América Latina”. As matérias e editoriais,
embora longos, não esclarecem questões como essa, o que passa a ideia
de que a UNE estaria gastando dinheiro público para práticas
religiosas do candomblé.

Quanto às notas fiscais supostamente irregulares, a entidade nacional
dos estudantes brasileiros explica que o processo de contratação foi
feito via pregão eletrônico, por meio da empresa “Terceiro Pregão”,
especializada em licitações para o terceiro setor. “A UNE cumpriu a
sua parte contratual. Caso tenha ocorrido qualquer irregularidade por
parte das empresas contratadas, a UNE apoia a investigação do ocorrido
e a adoção de medidas legais cabíveis”.

A UNE fez bem em divulgar a nota e não deve esmorecer na luta pela
democratização nas comunicações no país. Como diz a nota, ela tem
tradição de 75 anos nas lutas democráticas. Os jornalões já não podem
dizer o mesmo. Não podemos esquecer das relações carnais entre boa
parte da chamada “grande imprensa” e a ditadura militar instalada no
Brasil em 1964.
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