A comunicação nos Brics e no Mercosul



A comunicação nos Brics e no Mercosul

Do sítio do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Comunicação e Telecomunicação nos países do BRICS e do Mercosul foi o
tema de debate realizado na noite desta quarta-feira (6), em São
Paulo. Promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Socicom e Barão de Itararé, a atividade faz parte do Ciclo de Debates
Panorama da Comunicação e Telecomunicações. Irene Gurgel do Amaral,
bolsista do Ipea, e Renata Mielli, do Barão de Itararé, compuseram a
mesa. A mediação ficou por conta de João Claudio Garcia, jornalista do
Ipea. O professor Marcos Dantas (Universidade Federal do Rio de
Janeiro) teve problemas de agenda e não pode comparecer.


Amaral apresentou a pesquisa publicada no Panorama da Comunicação e
das Telecomunicações 2011/2012, lançado pelo Ipea. A pesquisa busca
analisar o atual estágio dos sistemas de comunicação e telecomunicação
de países do Mercosul e dos chamados BRICS. “A intenção, ao levantar
as questões desses países, é discutir a ideia de uma suposta
marginalização digital”, explica. “Existe uma acessibilidade maior aos
meios tecnológicos e, embora as estatísticas sejam interpretativas,
cresceu expressivamente a inclusão digital nesse sentido”.

Segundo Amaral, a telefonia móvel foi a que mais cresceu no setor. “É
possível encontrar empresas de telefonia móvel do Brasil entre as
maiores empresas do mundo”, diz. Ela destacou, principalmente, o
crescimento da indústria de telecomunicações. A convergência midiática
também foi abordada por Amaral; a migração de publicidade para as
plataformas digitais aumentaram, de acordo com ela.

“A infraestrutura da Internet enfrenta o desafio de chegar às regiões
mais remotas dos países, o que só a Rússia tem feito até o momento”,
pondera. Segundo ela, “a pesquisa busca verificar de que forma as
alternativas para a expansão da Internet e a inclusão digital estão
sendo construídas”. Ela dividiu a pesquisa em duas frentes: a primeira
seria em torno da infraestrutura de tecnologia para inclusão digital
nos BRICS e Mercosul . A segunda seria a relação dos lugares estudados
com o novo contexto tecnológico, incluindo suas regulações
específicas.

Massificação x universalização do acesso

Na avaliação de Renata Mielli, Amaral apresenta um panorama geral
sobre o setor nos países em questão. Em sua opinião, o cenário
conflituoso em torno da ausência de regulação no setor é um indicativo
de que algo está errado. “A legislação do setor é anacrônica e
defasada. O Brasil adotou um caminho inverso ao de outros países
estudados, pois é cada vez mais difícil separar radiodifusão e
telecomunicação”, afirma.

Ela defendeu a necessidade de ampliar a participação da sociedade
civil no processo de regulamentação e debate em torno das políticas de
comunicação e telecomunicação. “Uma regulação que preconize a
convergência digital é um desafio para os países BRICS e Mercosul. O
regime de prestação do serviço, público ou privado, é uma questão
bastante importante para a democratização do acesso”, diz.

O quadro atual, segundo ela, é baseado na competição. “Nós temos mais
de 200 milhões de celulares porque 80% dos planos são pré-pagos; os
benefícios, geralmente, são limitados apenas para quem usa a mesma
operadora, além de o serviço ser caríssimo”, afirma Mielli. Para ela,
o celular é um aparelho multimídia, o que torna o tipo de prestação de
serviços ainda mais importante. “O governo trabalha com o termo
‘massificação’, em relação ao serviço de telecomunicação. O termo que
eu acho correto é universalização”, opina. A exclusão, segundo ela, é
digital e social, devido a essa opção mercadológica.

Em relação à Internet e à banda larga, Mielli acredita que devem ter
gestão pública. “É preciso separar as estruturas dos serviços. A
infraestrutura deve ser pública e, depois, distribui-se as licenças
para os serviços. Não se trata de defender uma reestatização dos
serviços, mas um controle público para garantir o acesso e a qualidade
dos serviços”, diz.

Confira a agenda completa e programe-se:

-30 de maio: Regulação da Comunicação e Telecomunicações, com Monique
Menezes (bolsista do Ipea); Venício Lima (professor aposentado da UnB)
e Marco Schäffer (assessor da presidência do Ipea).

-6 de junho: Comunicação e Telecomunicações nos países BRICS e
Mercosul, com Irene Gurgel do Amaral (bolsista do Ipea); Marcos Dantas
(professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e João Claudio
Garcia (jornalista do Ipea)

-13 de junho: Mapa cognitivo: Ensino da Comunicação no Brasil, com
Maria Cristina Gobbi (bolsista do Ipea); Igor Fuser (coordenador do
curso de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero) e Mirlene Bezerra
(jornalista do Ipea).

-20 de junho: Serviços, aplicativos e conteúdos digitais
multiplataformas – Avanços no campo público da televisão digital, com
Cosette Castro (bolsista do Ipea); Diogo Moisés (assessor da Empresa
Brasil de Comunicação/TV Brasil e Coletivo Intervozes) e Fernanda
Carneiro (jornalista do Ipea)

-4 de julho: Perspectivas e análises das tendências profissionais e
ocupacionais para a área de comunicação no Brasil, com Andréa
Fernandez (bolsista do Ipea); Marcia Quintanilha (diretora da
Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj) e Pedro Cavalcanti
(jornalista do Ipea).
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