Quem quer pressionar o STF é a mídia



Quem quer pressionar o STF é a mídia

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Estou farto de tanta hipocrisia. Acabo de ler um comentário do
jornalista Ricardo Noblat, em seu blog hospedado no portal de notícias
das Organizações Globo, dizendo que José Dirceu quer “obrigar” o STF a
decidir a seu favor. Para dizer isso, esse jornalista insulta
pesadamente o ex-ministro processado por aquele tribunal e que está
com a própria vida, seu futuro e sua honra em suas mãos.


Grande vantagem insultar Dirceu. Corajoso o Noblat, não? Muito
corajoso ao detratar e injuriar dessa forma alguém que há sete anos é
tratado como bandido pelos maiores impérios de comunicação da América
Latina apesar de nunca ter surgido uma só prova material contra si.

Enquanto isso, o país assiste à mídia pressionar o STF, levantar
ilações sobre supostas intenções de membros do tribunal, a ela
reclamar do relator-revisor do processo, o ministro Ricardo
Lewandowsky, dizendo que, por não aprontar o processo mais rápido
neste ano eleitoral como essa mesma mídia quer, estaria ajudando os
acusados pelo inquérito.

Ou seja: quando Dirceu ou até mesmo o ex-presidente Lula reclamam, é
imoral, ilegal, suspeito ou claramente prova de culpa, mas, quando a
mídia aliada à oposição acusa, aí é um serviço prestado ao país contra
pessoas que ela já trata como condenadas, dando a entender que acha
que o julgamento delas deveria ser mera formalidade, sumário, pois a
culpa de todas já estaria provada.

O fato é que não é Dirceu que diz que o STF se deixa pressionar pela
mídia, nem eu, mas um membro do STF, o mesmo Lewandowsky que, em 2007,
espionado por uma jornalista da Folha de São Paulo enquanto almoçava
em um restaurante, disse a um interlocutor desconhecido, ao celular,
que a Suprema Corte de Justiça da República havia aceitado o inquérito
do mensalão “com a faca no pescoço” colocada pela… MÍDIA!

Desta maneira, considero uma afronta, uma prova de cinismo indizível
esse comentário não só de Noblat, mas de todos esses seus congêneres
que estão a querer um tribunal de exceção para os acusados do
inquérito do mensalão.

Noblat diz que seria ilegítimo que manifestantes saíssem às ruas para
protestar contra essa pressão que o ministro do Supremo Ricardo
Lewandowsky diz que a mídia consegue fazer sobre a Corte que integra,
o que, por si só, constitui um absurdo institucional, uma aberração,
um atentado à Democracia. Eu, porém, garanto a você, leitor, que é
perfeitamente constitucional e, ainda mais, que seria perfeitamente
justo.

É meu direito dizê-lo e a Constituição Federal me garante esse
direito. O direito de reunião e de expressão será exercido, a menos
que a mídia pregue que, como em uma ditadura, o Estado brasileiro
prenda ou espanque ou torture ou mate quem disser o mesmo que o
ministro Lewandovsky disse e que ao menos a Folha publicou – na
primeira página.
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