Uma associação criminosa (Cachoeira, Veja e Demóstenes) a serviço da oposição



Uma associação criminosa a serviço da oposição


Jornal Hora do Povo


PF flagra ação de Cachoeira, Veja e Demóstenes como pivôs da quadrilha

Gravações documentam jogo sujo da trinca para forçar o governador do
DF a favorecer a Delta

As últimas gravações da Polícia Federal revelam uma trama entre o
bicheiro Carlos Cachoeira, o diretor da revista Veja Policarpo Junior
- o PJ -, e o senador Demóstenes para forçar o governador Agnelo a
favorecer a Delta. “Veja” dirige uma bateria de ataques a Agnelo,
seguido de discursos de Demóstenes no Senado no mesmo sentido. No dia
seguinte, Dadá, um dos membros da quadrilha fala: “O senador deu uma
castigada ontem no governador. Vamos ver se o cara paga agora, né”.

Cachoeira, Veja e Demóstenes tramaram contra governo do DF
Ódio da quadrilha contra Agnelo Queiroz era para beneficiar a
empreiteira Delta

As últimas gravações da Polícia Federal, que vieram a público nos
últimos dias, com mais diálogos entre Carlos Cachoeira e seus
capangas, como o diretor da revista Veja, Policarpo Jr. e com o
senador Demóstenes Torres, não deixam dúvidas sobre o papel
desempenhado por esses elementos na organização criminosa. Numa das
gravações eles atuam juntos pressionando o governador do DF, Agnelo
Queiroz, sobre supostas denúncias do ex-delegado Durval Barbosa contra
Agnelo, para garantir os interesses da empreiteira Delta.

A trama começa a se delinear com uma conversa entre Idalino Matias, o
Dadá, e outro integrante da quadrilha, de nome Andrezinho. Segue o
diálogo:

Dadá: “Falei com o Olho Azul (Claúdio Abreu), hoje, cara. O negócio lá
deu um pouco de virada. O senador deu uma castigada ontem no
governador. Aí chamaram para conversar, entendeu? Aí, o Cláudio tá
vindo aqui amanhã. Vamos ver se o cara paga agora, né”.

Andrezinho: “Mas o senador fez mesmo ou foi o Cláudio que pediu, como
é que foi?

Dadá: “Sei lá, eu falei com o Carlinhos. Não deu prá falar com o
Cláudio. Falei com o Carlinhos porque tinha uma oportunidade com a
Veja que ia sair, né? Aí falei para ele provocar para que o senador
fosse ouvido na matéria. O senador foi ouvido na matéria que fala do
Durval, da fita que fala do governador. Aí o senador deu uma
caprichada na vida dele, aí os caras ficaram putos. Chamaram para
conversar hoje. Acho que ele ligou para o senador”

Andrezinho: “Então deu uma reviravolta, bicho”.

Dada: “O cara tem que apanhar. Todo o dia a gente vai lá, o cara
empurra com a barriga, entendeu?”

Andrezinho: Pois é. O governador fez consciente, a mando ou...”

Dada: “Não, ele que pediu para falar com o senador, foi o governador
que pediu. Aí o senador falou que só conversa com ele, só almoça com
ele, depois que resolver os problemas, os pedidos dele. Aí chamaram o
Cláudio aqui amanhã para conversar, vamos ver”.

Andrezinho: “Tem que descer a marreta urgente naquela situação. Eu não
vi a Veja, foi pesada sobre o Agnelo, foi?”

Dadá: “Foi. Você não viu os telejornais não, caralho? A Globo então só
não chamou ele de gente. Globo. Record, SBT, regaçou com ele hoje”

Andrezinho: “Entendi. Pegou pesado.

Dadá: “É a situação dele tá crítica. Vamos ver agora como é que fica.
Também sem as forças dele, né? Ele tá com medo também”.

Andrezinho: “O Agnelo chamou o Demóstenes para conversar e o
Demóstenes falou que só senta com ele quando resolver os problemas?”.

Dadá: “Falou que só almoça depois que resolver os problemas, pedido
dele, né? Na realidade o cara deixou de atender não é a empresa,
deixou de atender o senador, né? Mas se o cara não resolver, ele ta
deixando de atender o senador, não a empresa, né, cara?”.

Na edição da Veja citada, além da armação do Durval contra Agnelo,
saiu a matéria arranjada por Policarpo Jr. com Demóstenes Torres. O
título era o seguinte: “Senador do Dem diz que Agnelo agiu de maneira
criminosa”.

Depois, Dadá informa Cachoeira sobre as repercussões da matéria.

Dadá: Fala Chico (codinome)

Carlos: “Fala Chicão”

Dadá: Ó, o negócio tá tendo uma repercussão violenta, rapaz. Esse
negócio da revista Veja, aqui”.

Carlos: “Ah, é? Agora ele cai?”

Dadá: “Sei não, cara. Sei que a repercussão envolveu Ministério
Público(...). Mas a imprensa toda, Globo, hoje. Globo, Record, todo
mundo batendo no cara. O bicho ta pegando”.

Carlos: “Tá. Estou tendo uma reunião. Depois te falo”

A conversa prossegue mas tarde:

Carlos: “Então o trem tá feio aí?”

Dadá: “Tá, bicho. A Globo bateu pesado nele. Record. Ele ta dando as
explicações aqui, mas os caras não estão se convencendo, não,
entendeu? Ta gaguejando aqui na televisão”.

Carlos: “Então libera o gordinho, né?”

Dadá: “(...) falei com ele agora, com o Cláudio (...) Porra, a gente
tem que resolver isso”. (...) resolve e vai ser hasteada a bandeira
branca, bicho”

Carlos: “É. Eles pediram mais alguma coisa procê, não?”

Dadá: “Não. Pediu pro gordinho, entendeu? Receber o cara bem e parar
de bater”.

Carlos: “Você tem que avisar que eles vão apanhar, entendeu? Vão
continuar apanhando”.

Dadá: “Não, lógico. Vou avisar. Daqui a pouco eu vou ligar para eles”.

Carlos: “Porque é o seguinte, não vai perder uma oportunidade dessa
não, uai”.

Dadá: “Pro cara cair é 3, 4 meses. É o tempo que vence aquele
negócio”.

Carlos Cachoeira conversa depois com Cláudio Abreu sobre como deve ser
a chantagem:

Cláudio: “Deixa eu falar, o Dadá me posicionou aqui. Aquela história,
nós não pedimos nem nada, mas, deu uma reviravolta na turma lá. Ta
tudo desesperado, né? O Dadá já me falou que você falou prá ele ‘botou
a cabeça, agora deixa’, eles que tem que resolver, não resolvem minhas
coisas lá, bicho.

Carlos: “Falei pro Dadá, eu liguei pro nosso amigo, falei: ó, solta o
bete (...) é ao contrário, vai bater, depois de arrumar os seus
negócios, ele para, entendeu?”.

Cláudio: “É, exatamente (...). Arrebentou. O bicho arrebentou, hein?”

Carlos: “Foi bom demais, hein?”

Cláudio: “Mas eu já tinha falado isso pro PJ lá (Policarpo Jr.). ‘PJ,
vai nesse caminho’, bicho, se o PJ for em cima do cara que eu falei do
alcoforado, rapaz do céu, vai estourar trem prá cacete”.

A Delta tinha contratos para coleta de lixo no DF desde os tempos de
Arruda. O que esses diálogos mostram é que o grupo de Cachoeira fazia
pressão para obter algum acerto com o governador Agnelo Queiroz e se
associou à Veja e a Demóstenes para fazê-lo.
.



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