A tal crise global no Brasil foi só desculpa para empresário incompetente demitir...
- From: Hegê <grandelula@xxxxxxxxxxxxxx>
- Date: Mon, 16 Feb 2009 10:40:36 -0800 (PST)
Algo a ver com a situação atual ? Ouve-se muito falar em criar
oportunidades
na crise.
Muitas das vezes nessas situações críticas (assim como nas guerras)
é que ocorrem os saltos de qualidade.
Sei lá, mas ele fala em utilizar de uma poupança para situações de
crise -
não é bem o nosso caso - nós estávamos em uma situação depauperada e
graças ao impulso e retomada de crescimento neste governo é que
estamos
conseguindo sobreviver. Essa tão criticada política de inclusão social
da população de baixa renda é que vem sustentando o mercado (e até os
banqueiros, que constinuam cobrando juros escorchantes). Quando o Lula
fala que o pessoal deve continuar consumindo normalmente é exatamente
para manter o círculo virtuoso de fluxo monetário e sustentação da
indústria e comércio em geral.
Os críticos exacerbados dizem que o programa de bolsa família é o
maior
programa oficial de compra de votos - parece que o Jarbas Vasconcelos
também
andou dizendo isso. Os senhores feudais não querem programa de
inclusão -
querem, sim, manter seus currais eleitorais - de quatro em quatro anos
dão
um churrasco ou uma buchada de bode regado a pinga e pronto - "home"
bom tá aí !
Voto garantido... e controlado pelos jagunços, digo, cabos eleitorais.
Você Está Demitido
Stephen Kanitz - Artigo Publicado em 14 de Novembro de
2001.
Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento
em
popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio
da
construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com
grande
alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fluxo de
caixa
apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de
dólares.
Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas
despesas.
Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para
resolver no
mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado.
O
Professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O
primeiro
tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais
relevantes,
apontar as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar
um
início de
solução.
"Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não
essenciais,
economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses os gastos
com
propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos
programas
de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de
espera.
Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afinal
nossa
sobrevivência vem em primeiro lugar". É exatamente isso que as
empresas
brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por
sua
"responsabilidade
social".
Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e
disse:
-Levante-se e saia da
sala.
-Desculpe, professor, eu não entendi - disse John, meio
aflito.
-Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA
FORA!
Nunca mais ponha os pés aqui em
Harvard.
Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé. Nem um suspiro.
Meu
colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou para deixar a
sala.
O silêncio era
sepulcral.
Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último
comentário:
-Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem
mostrar
nenhuma eficiência ou incompetência, mas simplesmente porque um bando
de
prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca mais na
vida
despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente é sempre
a
última
alternativa.
Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários
como
se fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar
cara
a cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o
fim
da economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você
quem
tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas
conseqüências.
Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos
cursos
de política
monetária.
Se você decidiu reduzir seus gastos familiares "só para se
garantir",
também estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas
as
empresas e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de
crise,
criaremos crises de fato, com mais desemprego e mais recessão. A
solução
para crises é reservas e poupança, poupança previamente
acumulada.
O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de
vacas
gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos
de
vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise
é
dar um tiro no pé. Demitir funcionários contratados a dedo, talentos
do
presente e do futuro, é
suicídio.
Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém
precisaria
ficar apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas.
Se a
crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar
o
cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos,
os
seres humanos vêm em último lugar.
.
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