Antônio Ermírio, Votorantin, um lesa-pátria



A decepcionante elite brasileira

Quando deixamos os fundamentos ideológicos de lado, do ponto de vista
prático, em qualquer regime a atividade empresarial se legitima
perante a sociedade quando os empresários agem como líderes de uma
coletividade, como se fossem generais da economia, que conduzem à
vitória suas "tropas" (seus funcionários e cidadãos da comunidade onde
a empresa está inserida), trazendo prosperidade para todos.

Empresários perdem a condição de líderes sociais e se tornam rendidos,
quinta-coluna, capatazes de terceiros contra seu povo, quando tratam
só de sua própria prosperidade, entregando à adversários riquezas,
suor e sacrifício de seu próprio povo, em vez de dividir o bônus com
todos que trabalharam direta ou indiretamente para produzir a riqueza.

É o que aconteceu com o grupo Votorantin, da dinastia bilionária
Ermírio de Moraes. Venderam para a multinacional Monsanto duas de suas
empresas que desenvolviam pesquisa de ponta com cana de açúcar:
Alellyx e CanaVialis.

Para agravar, as duas empresas receberam substanciais verbas públicas
destinadas à pesquisas do Ministério da Ciência e Tecnologia, visando
a desenvolver tecnologia nacional, e se utilizaram do acervo de
conhecimento de pesquisas nas universidades brasileiras.

O ministro da ciência e tecnologia, Sérgio Rezende (PSB) protestou
contra a venda:

"São duas empresas que receberam investimento do governo e, justo
quando esses investimentos amadureciam, foram vendidas por um preço
bastante módico ...

.... a venda (da Alellyx e CanaVialis) para qualquer grupo estrangeiro
é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas,
tão importantes para o País?"

Empresas como a Monsanto, tem interesse na tecnologia brasileira de
produção de álcool de cana-de-açúcar em grande escala e na obtenção de
variedades transgênicas da cana adaptadas às condições climáticas de
outros países. Foi nesse contexto que se deu a compra.

Fatos lesa-pátria como estes, exige uma revisão nas políticas de
financiamento público que beneficiem empresas com controle privado. No
mínimo é necessário ter garantias a longo prazo, contra esse tipo de
transferência de tecnologia para o estrangeiro.

Por isso é que eu acho graça quando colunistas endemonizam os
empresários Sérgio Andrade e Carlos Jereissati, que tampouco são flor
que se cheire, mas se submeteram à uma cláusula de veto do BNDES para
venda à estrangeiros da Oi-Brasil Telecom, enquanto enaltecem Ermírio
de Moraes, que entregaram de mão beijada nossa melhor tecnologia
desenvolvida com dinheiro público por um lucrinho qualquer, ou
enaltecem Olavo Setubal e seu filho, cujo banco historicamente sangra
um pedaço da nação brasileira com negociatas e um sistema bancário
adverso à produção de riquezas nacionais. Dessa avaliação não escapa
nem a Carta Capital, que, em recente matéria, a título de falar mal de
Dantas, enaltecem esses ícones do atraso da elite brasileira, em
grande parte responsáveis pela má situação do Brasil herdada pelo
governo Lula.
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