"Petróleo é estratégico. Ninguém invade um país por alumínio ou laranja"
- From: Hegel <hegelianista@xxxxxxxxxxxxxx>
- Date: Thu, 22 Nov 2007 03:05:40 -0800 (PST)
"Petróleo é estratégico. Ninguém invade um país por alumínio ou
laranja"
HP: Qual a sua opinião sobre a quebra do monopólio estatal do petróleo
e a criação da ANP?
Guilherme Estrella: Eu participei há uns dois meses de uma sessão
pública no Senado Federal. Tinha um representante da ANP, um
representante das empresas estrangeiras que operam no Brasil. O
senador Francisco Dornelles (RJ) perguntou a minha opinião sobre a
quebra do monopólio estatal do petróleo, se a Petrobrás está melhor ou
pior? Eu disse: senador, é difícil a gente comparar porque a Petrobrás
era uma excelente empresa ao longo do período do monopólio e continua
sendo agora. Então, ele talvez tenha desconfiado que essa seria uma
resposta em cima do muro. Aí ele perguntou o seguinte: "foi melhor ou
pior para o Brasil a quebra do monopólio estatal do petróleo?". Eu lhe
respondi, sem titubear, com todas as letras que foi pior. Em termos da
indústria petrolífera foi pior para o Brasil. Como cidadão brasileiro
eu não tenho a menor dúvida.
O petróleo, e aí eu cito o professor Bautista Vidal, em todas as
nações, como no Brasil, não é uma commodity. Não se invade um país por
causa de laranjas, sem querer desrespeitar nossos importantes
produtores de laranjas, de bananas. Não existem guerras por causa de
uva, de alumínio, etc. As duas grandes guerras no século XX foram
decididas pelo petróleo, tiveram como causa medular o petróleo e foram
decididas em favor daqueles países que possuíam as reservas e a
produção do petróleo. Isso é de uma clareza incontestável.
Além disso, o petróleo representa um patrimônio natural estratégico de
uma nação, que se insere no setor energético. Veja o problema do gás..
Qual é o problema do nosso gás? É que o governo Fernando Henrique
Cardoso cometeu um erro estratégico básico, que nenhum governo pode
cometer, foi de uma incompetência estratégica absoluta, quando colocou
a nossa segurança energética em reservas de produção de um país
estrangeiro, como a Bolívia. Isso é de um primarismo no que diz
respeito à gestão estratégica nacional incontestável.
Então, energia é estratégia. Os países devem deter efetivamente a
soberania, a autonomia e a total gestão de seus recursos energéticos.
É básico para o seu desenvolvimento. Para o cidadão comum e para
aqueles que pensam na segurança nacional, na soberania nacional, no
desenvolvimento dos brasileiros, nos direitos da nossa população, não
tem dúvida a esse respeito.
Eu, como cidadão, acho que energia tem que estar sob o controle do
governo, e o setor de petróleo, por se tratar de um bem estratégico
natural do país, deve ser controlado pelo governo e não por agências,
cuja composição de diretoria passa de governo para governo. Essa foi a
fórmula, foi a receita usada para tirar do governo brasileiro e do
povo brasileiro, que elege o nosso governo, o controle sobre a área
energética nacional, entregando isso a interesses que a gente não sabe
quais são. É essa a minha opinião como cidadão brasileiro.
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