Sobre carrapatos e zoonoses



ZOONOSES
Verão favorece o surgimento de carrapatos
[ 30/12 ]



Márcia Belmello

Com a chegada do verão, quando a temperatura se eleva e a umidade
aumenta, cresce também a incidência dos carrapatos em toda a região,
sejam eles os vermelhos encontrados em cães e gatos ou o estrela, que
ficam em cavalos e capivaras e podem causar a febre maculosa nos seres
humanos. Acabar com esse bichinho não é tarefa das mais fáceis, segundo
o biólogo da equipe de Zoonoses da Prefeitura da Sorocaba, Fabiano
Demétrio Zequetto, e a veterinária Camila Tejon, mas com persistência a
batalha pode ser vencida.

Zequetto explicou ainda que nessa época do ano os carrapatos estão
na fase adulta e aptos a colocar os ovos no ambiente e iniciar o ciclo
de vida. Quando a temperatura do ambiente começa a cair, a partir de
março, eles entram na fase jovem, os chamados micuins. Para acabar com
eles não basta apenas cuidar do animal, é importante também tratar os
ambientes. "No ciclo de vida do carrapato ele se alterna entre o corpo
do animal e o ambiente, então cuidar apenas de um não é a forma mais
eficiente", disse.

A veterinária contou que é muito difícil gatos serem infestados
por carrapatos, em compensação, os cães são as vítimas prediletas e, se
não forem tratados podem ter problemas secundários como as doenças
transmitidas por eles e até convulsões por estresse. Os carrapatos
vermelhos são parasitas que se alimentam do sangue do cão e podem
transmitir a babesiose e a helichiose ao animal, além de moléstias
secundárias. Não é raro encontrar um cão com problemas de pele e outras
infecções causadas pelas coceiras. "Já atendi inúmeros casos de
cachorros com convulsões por estresse de tanto se coçar ou
irritabilidade por causa dos carrapatos", disse a veterinária.

O ciclo de vida de um carrapato desde o ovo até a fase adulta vai
de 2 a 3 meses, mas se ele viver em um ambiente saudável (para ele) pode
durar dois anos. Cada fêmea é capaz de colocar entre 5 e 8 mil ovos no
ambiente e que quando se transformam em larvas, vão para o corpo do
animal sugar o sangue. Depois voltam para o ambiente até se tornarem
adultos e ficarem alternando do animal para o ambiente.
O tratamento é feito à base de medicamentos específicos prescritos
pelo veterinário tanto para o animal quanto para o ambiente onde ele
vive.

"Não adianta tratar apenas o animal ou ambiente. O tratamento
eficiente deve ser feito nos dois e leva tempo", contou Camila. Segundo
ela, muitos donos de cães acreditam que apenas um banho medicinal é
suficiente para eliminar os carrapatos dos animais e quando chegam, em
casa encontram mais alguns bichos no animal ou dias depois o cachorro
está infestado novamente. "Isso porque o tratamento é demorado e o
ambiente precisa de cuidados também", frisou.

Ela alertou que a medicação deve ser prescrita por um veterinário,
apesar de ser vendida em vários lugares sem a necessidade de receita.
"Os medicamentos são altamente tóxicos e podem dar reação no animal, por
isso é importante saber sobre a saúde do animal, verificar qual o tipo
de medicamento é o mais indicado, e utilizar à risca conforme a
orientação do profissional. Mesmo assim, se der algum problema, o
veterinário estará apto a resolver", contou.

Quanto ao ambiente, a medicação também precisa ser aplicada
conforme a orientação do profissional para evitar problemas de
intoxicação. "Há casos em que a família mora num lugar onde só tem grama
e a aplicação de medicamentos no ambiente fica inviável", lembrou
Camila. Para esses casos, ela diz que apenas o animal deve ser tratado
intensivamente. Os resultados vão demorar um pouco mais para aparecer,
mas é preciso ter paciência e persistência. "Nesse caso, nós vamos
interrompendo o ciclo de vida do carrapato, por isso demora mais. Mas dá
resultado", garantiu.

Arrancar o carrapato ou espremer é um método totalmente
desaconselhado tanto pela veterinária quanto pelo biólogo. Os carrapatos
possuem uma espécie de garra ou ferrão na boca que quando são
espremidos, arrancados ou tirados com objetos quentes, ficam dentro do
animal e se tornam focos de infecções ou "portas" de entrada para vírus
e bactérias. A mesma recomendação vale para os seres humanos. Quando nós
somos picados por carrapatos a forma correta de tirá-los é dar leves
torções no animal (com ou sem a ajuda de uma pinça) até que ele saia
completamente. Na hora o lugar pode ficar um pouco vermelho e inchado
como qualquer picada, mas aos poucos se normaliza.

Fale com o médico

Se o carrapato vermelho é facilmente encontrado nas cidades e se
hospeda principalmente em cães, o parente carrapato-estrela vive nos
campos e banhados e fica sobre cavalos e capivaras. "É por essa razão
que a gente aconselha sempre as pessoas que andam ou trabalham no campos
a vestirem roupas claras, assim dá para ver o carrapato", contou
Zequetto. Ele alertou ainda que usem botas, de preferência com cano
alto, as calças devem ser colocadas por dentro das botas e onde a bota
termina é bom vedar com fita adesiva. "Nas duas últimas voltas, se
possível, deixar o adesivo para o lado de fora, assim segura o
carrapato", disse.

O tipo "estrela" pode transmitir a febre maculosa, mas segundo
pesquisas, apenas 1% deles estão contaminados com a bactéria da doença e
é necessário que o carrapato fique picando a pessoa de quatro a seis
horas seguidas para inocular a bactéria na pessoa. "Por isso o ideal é
que a cada duas horas seja feita uma revista na roupa e no corpo para
ver se não existe carrapato".

Se uma pessoa for picada por carrapato e apresenta febre, dores
nas costas e na batata das pernas, calafrios e manchas vermelhas nas
palmas das mãos e plantas dos pés que depois se espalham pelo corpo,
deve procurar um médico e contar que foi ficado pelo carrapato. "Esse
diferencial poderá alertar para a febre maculosa, já que os sintomas são
muito semelhantes aos de outras doenças", contou.






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