CardosOnline #23
- From: "Xadai" <pedroxadai@xxxxxxxxx>
- Date: 19 Dec 2005 18:49:54 -0800
EDITORIAL
Hubbah, cumpanheiros!!!
Final de ano, últimas edições de 98 e eu resolvi fazer um
comentário meio
sentimentalóide, mas é isso aí, vamo ver o que sai.
É, há males que vem para bem, já dizia a Chiquinha, em algum
daqueles
episódios do Chavo del Otcho, a série mais chinelona do mundo. E
depois do
mail me detonando e me esculachando, recebi diversos elogios e palavras
de
apoio e só hoje quatro pedidos de assinatura.
É, isso realmente me faz bem.
E, Michele, eu não levei isso pro lado pessoal, se quiser
continuar
recebendo o COL, me diga, eu continuarei te mandando. Críticas
negativas me
atingem, mas acho que são válidas, até para aperfeiçoar o trabalho
e
minimizar os defeitos. Não esquenta, eu não esquento também, ok?
Obrigado aos COLunistas, pelo trabalho que tem feito.
E por falar em COLunistas, o Staff do COL ganhou um novo
COLunista fixo,
que é nada mais nada menos que o Daniel "mojo" Pellizzari. Bem vindo
meu
véio, have a nice trip with us. E o Hermano, que é quase fixo, só
falta ele
me dizer que quer ser fixo pra entrar na jogada tb.
E ainda falando em COL, descobri essa semana que existe uma
verdadeira
rede de distribuição do COL underground, ou seja, uma máfia formada
por
alguns assinantes que redistribui o COL para outros endereços. Isso
significa que os cento e poucos que estão no mailing list do chinelo
são só
a ponta do iceberg. Quem mais será que anda recebendo COL por aí??
---Cardoso
ALCE VENENOSO - O CANTOR DOS CORNO
O dia em que fizemos contato
Quarta de madrugada quando eu tava dando os últimos ajustes do
COL 22 e
recebi o release do Chinelagem Fabicana, escrito pelo Santi, logo
pensei
que o Hermano ia aparecer, e que, sem dúvida, ia convidar o
Pellizzari.
Acordei quinta ao meio dia, tomei um banho, tava um frio
chuvoso fudido e
eu pensei que não ia rolar a chinelagem, mas resolvi aparecer por lá.
Duas
e quinze, tô eu chegando lá, matando aula de Mettecpesc, a pior
cadeira do
mundo e fiquei rateando, esperando as cinco e meia pra tomar 1 (uma)
ceva e
ir pra casa lá pelas sete, estudar pruma prova e fazer dois trabalhos
pra
sexta.
É...Tudo funcionou bem até o momento em que comprei a
primeira ceva.
Cerveja essa que era pra ser a única do dia. Um pila. Já eram seis da
tarde
e ninguém tinha aparecido pra chinelagem, fora quem já tava na Fabico
e eu
achei que ia ser um fracasso total. Resolvi comprar a lata pra dar uma
força pras gatinhas que organizaram o evento e que são leitoras do
COL.
0Comprei e saí pra caminhar pela Fabico em busca de partidários da
chinelagem cervejeira. Encontrei uma amiga que me disse pra comprar
duas,
que era 1,50. Promoção? Fui lá e meti duas, do meu dinheiro, dei uma
pra
ela. Bom, ia tomar duas cevas e deu.
Caminhando pela Fabico, encontrei alunos aplicados esperando
aula de
cinema com o Giba e ofereci cerveja. Primeiro comecei a beber só com a
Tica, que estava entre esses alunos. Logo o Sal e o Fabiano se
contaminaram
e compraram as suas latinhas.
Terminei a segunda, dividida com a Tica. A amiga pra quem eu
tinha dado
uma ceva no começo da noite me trouxe outra latinha, já era a
terceira. A
Tica sumiu e quando voltou tinha outra ceva pra mim, já eram quatro.
Nesse momento iluminado, quando estava sentado no chão e já
levemente
envolvido pelo sabor de cevada e lúpulo, adentra no saguão
completamente
alucinado o Hermano, com uma figura tatuada fumando um Marlboro.
Levantei e
fui direto: "E aí, Pellizzari?" Só podia ser o cara. Muito parceiro,
com
suas loucuras de isolamento repentino e pã no braço.
Então a Chinelagem começou a ferver. Lá pelas sete, tava
cheio de gente,
uma loucura. Algum tempo depois, chegou o Carlos, e a cerveja começou
a
pegar afudê. A essa altura o preço da ceva já estava em 3 pilas por
4
cevas. Eu, Träsel, Pellizzari, Hermano e Carlos nos entragolamos até
que
acabou a ceva.
Show dos irmãos Blank, Egs, Tiago Tigrão e muito rock gaúcho
na veia, de
TNT a Plato Dvorak.
Trago na cuca, danças bizarras, passeios de elevador, chinelos
coloridos,
subir em muretas, guarda chuva, palco e goela destruída. Lá pelas
dez, o
mestre Pellizzari e o Träsel me fazem a proposta indecorosa: Vamos
cinemear
no Garagem? Vamo!!
Fudeu prova, trabalho, fudeu tudo.
Nos explulsaram da Fabico às dez e meia, fomos com o Felipe
Becker e o
Hermano pra Oswaldo. O Carlos tinha prova, sei lá, e o Galera que tava
por
lá também, tinha namorada, e nós não. Saímos caminhando. Nosso
estado
etílico fez com que cumpríssemos boa parte da Ramiro dançando e
cantando
uma música natalina, depois que o Hermano teve um teto olhando pra
decoração de natal de um prédio próximo.
Lancheria do Parque, mesa do lado do Nei Lisboa. Encontramos o
Beco
rateando por lá, também. Rango bom, nos levantamos e saímos. Hermano
fissurou e queria meter um fumo brabo de qualquer jeito. Estávamos
quase
dando um chapéu num trafi quando o Träsel nos entregou. Acho que deve
ter
ficado com pena do cara, que devia ter uns dez anos. Ele deve ter
pensado:
É feio roubar de uma criança...
Merda. Mesmo assim, tutto bene. Cincão arregado, rendeu um
belo beck.
Fomos pro Bambu's, onde conhecemos o irmão sonâmbulo do Pellizzari,
um
gambler que bebe fanta uva e rouba camiseta do irmão. Mais três cevas
na
cuca, Hermano pede um xis coraça dos mais gordurosos. Seus modos à
mesa são
exemplares, ele destroçou o xis como se fosse um chacal destrinchando
uma
carcaça. Cara, que porco!! E gritava "*** Bill Clinton" vendo as
imagens
do bombardeio a Bagda, indignado, com a voz embargada e arrastada de
bebum,
derrubando ceva no Pellizzari, que tecia comentários sobre Leandra
Leal.
Fomos pro Garagem. Eu e o Hermano fomos queimar uma cosa,
atrás do
projetor, e ficamos curtindo os curtas, ducaralho. Derrepente, começou
a
passar "O Miojo do Mal", e nós começamos a rir descontroladamente.
Quando o
ator começou a vomitar, Hermano rebateu em homenagem, e chamou seu
amigo
Hugo em alto e bom som.
Queimamos a coisa, e viajei no filme "Continuidade", pois achei
que tinha
descoberto o sentido da vida: Continuidade. Mas isso é papo pra outra
coluna. Aliás, cheguei a conclusão de que cinema é que é a grande
arte, mas
isso também é papo pra outra coluna.
Dali a pouco, apareceu o Pilla na área. Porra, staff completo,
só faltou o
Galera. Mais tarde bati um papo com ele e o Carlos Ferreira, que é um
puta
desenhista e roteirista de HQ e tinha sido meu colega em uma oficina de
HQ
com o Guazelli em 92, no ateliê livre. O cara não lembrava, claro.
Já mais tarde, bebum e chapeado, Beasty sounds na pista,
anotherdimensionnewgalaxyintergalacticplanetary, fui pra chinelagem,
durante uns cinco minutos, depois sentei no clássico sofazão do
Garagem e
curti um clipe ao vivo, como me disse o Becker, com muita estrobo nos
olhos.
Vi o Zanella por lá, o Pellizzari me mostrou. Andei vendo uns
lances do
cara, uns clipes e pá e achei legal. Soube esse fim de semana (no
programa
da Net do Bibo Nunes, que merece uma coluna também) que ele, o Trein e
a
Bárbara Gomes (que é assinante do COL) vão dirigir o "Bico de Luz"
do
Ultramen. Pô, afudê isso, diz o Galera e o Pilla que o cara é até
legal,
que ele deve ter escrito esses lances só pra chinelear mesmo. Tem uma
galera que diz que o Zanella é uma bicha recalcada, otário, e esses
lances.
Por isso desde já deixo o espaço pra ele se manifestar, te defende,
cara.
O legal dessa noite de quinta é que o Pellizzari (aka Mojo)
apareceu na
Fabico e metade da galera conhecia ele de nome. Ou são assinantes do
COL,
ou são meus amigos com quem eu comento as edições, ou sei lá,
acabam
sabendo do COL. Legal que eu falava: "Aquele figura de preto ali, gordo
cabeça rapada e de cavanha é o Pellizzari, tá ligado?" Aí um pinta
que tava
só ouvindo a conversa chegava "Aquele que é o Pellizzari? Que afudê,
me
apresenta?" Cara, eu achei afudê o Pellizzari lá, porque todo mundo
conhecia o cara, mas ninguém, ao mesmo tempo. Papo Twilight Zone,
mesmo.
Tive a sensação inversa no Garagem, que uma galera me
conhecia, vários
pintas me cumprimentaram e alguns chegaram: "Tu que é então o famoso
Cardoso?" Afudê isso, o CardosOnline encurtando distâncias no mundo
underground portoalegrense.
O Pellizzari agora é participante do Staff, o que significa
que precisarei
falar com o Galera pra atualizar nossa HP. O cara é uma figura muito
legal,
que é exatamente aquilo que ele fala, e que tem um estilo em certos
momentos muito parecido com o meu, observação essa que o próprio
fez. O
legal é que fui eu quem propiciei esse conhecimento, foi uma viagem
minha
que proporcionou a existência do COL, e que divulgou o trabalho do
Pellizzari pra tanta gente. Não só o dele, claro, mas ele que era o
misterioso, afinal de contas.
Trago, caminhada noturna, semi chapéu em trafi, quinze minutos
de fama,
cinema, papos literários, ardil 22, drogas, minas. Faltou uma pra mim,
mas
tudo bem, não se pode ter tudo.
Capotei.
Acordei no outro dia, os trabalhos que eram pra entregar foram
adiados, a
primeira aula da manhã não teve e a prova eu fui tri bem, o professor
corrigiu na hora e disse.
Parabéns minhas bixos do Mais Além, vocês se puxaram mesmo,
tomara que
continuem sempre com a chinelagem, o COL apoia 100%. Thank you Aline,
Larissa e Renata.
Tenho três palavras e uma vírgula pra essa noite.
Cara, que afudê.
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Take a little trip to your mind
Remetendo a coluna do Guasca sobre os males do Bill Gates:
Vocês já
pensaram na hipótese de ser o Bug do Milênio o grande evento que
começará a
destruição de tudo, o fim do mundo?
Existem várias previsões do fim do mundo no ano 2000 e tal, e
o bug pode
bagunçar computadores que controlem arsenais nucleares, o que faria
tudo
ser detonado ao mesmo tempo, começando a terceira guerra mundial. Ou
pior:
quem sabe um pouco de física sabe que uma explosão nucleara mal
calculada
pode tirar a terra de sua órbita, mandando-a descontrolada em rota de
colisão com outro planeta, ou o sol e pior: seria uma bola rodopiantes
cheia de terremotos, maremotos e vulcões ativos em direção ao fim.
Por isso eu digo: no reveillon de 1999, vai ser uma grande
orgia, um super
orgasmo de bilhões de almas ao mesmo tempo, em direção ao infinito.
Talvez
seja o último orgasmo de Shiva.
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Como diz o Mojo, só pra constar:
- Como tava bom o Lado B dessa semana, com o Drugstore apresentando e
sendo
entrevistado pelo sempre excelente Reverendo Massari. Rolou três
clipes do
Drugstore, Flaming Lips, Radiohead, Air, Cornelius e um monte de coisa
ducaralho.
- Muito afudê a entrevista do Giba Assis Brasil na TVE-Brasil, canal
34 da
net, acho que passou também pra nossa clássica TVE daqui também.
Domingo no
fim da noite, ou seja, por agora enquanto mando o COL.
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Tinha ainda um monte de idéias, mas vão ter que ficar pra
próxima coluna,
tô quase estourando os 8 K e eu tenho qeu dar um bom exemplo, afinal,
eu
sou o editor dessa côzza. Até a próxima, com uma crítica ao Bibo
Show, os
Skatistas de Cristo, sentido da vida na continuidade, cinema e a volta
do
Trio Los Angeles.
---Cardoso
O PEREGRINO DA CHINELAGEM ABSOLUTA
Aí galerita chinela! Hoje teremos como pratos do dia uma lista
de
alfarrábios interessantes, uma historinha escrota e uma visão do
paraíso
(Adão e Eva, mais especificamente).
Listas
Foi assombroso como a galera aderiu à onda de listas no
último COL. Quase
todo mundo fez. Parece preguiça de escrever fazendo com que se cumpram
os
oito k com espaços em branco. De qualquer maneira, ninguém vai poder
me
tirar pra copião, que todo mundo fez igual.
Livros
Duas Iguais -- Primeira novela de Cintia Moscovich. Muito sensível e
crua
ao mesmo tempo; conta a história de duas lésbicas (hmmm...) que
passam uma
vida inteira de desencontros.
Morangos Mofados -- Melhor livro de Caio Fernando Abreu. Muito bom,
inútil
tecer maiores comentários.
O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray) -- Única e
incomparável novela de Oscar Wilde. Uma caótica ego-trip do
aristocrata
inglês Dorian Gray.
As Virtudes da Casa -- Nada como puxar o saco do professor. Este
Romance de
Assis Brasil não traz nada de novo, mas é de agradabilíssima
leitura. Muito
bem escrito e gostoso de ler em decorrência disso.
Noite na Taverna -- única obra de ficção do poeta Álvares de
Azevedo.
Bizarro. Maravihoso. Genial. Visionário. Todos adjetivos vãos para
classificar este livro.
Uma oração americana (An American Prayer) -- um impressionante volume
de
poesias do maior poeta da música: Jim Morrison. Lindo, impressionante.
Uma Temporada no Inferno (Une saison en enfer) -- Uma mórbida e amarga
viagem pelos subterrâneos da mente deste que é o maior poeta da
história na
opinião de ninguém menos que Vinícius de Morais.
Bueno, já chega que ninguém vai ler nenhum desses livros
mesmo.
Os Cacos da Noite
É totalmente certo que mais pessoas escreverão sobre este
episódio na
presente edição do COL, mas não posso deixar de fazer parte deste
coro.
Para variar, a história começa na Fabico, mãe e madrasta de todo e
qualquer
evento chinelão destas paragens portoalegrenses. Fim de chinelagem
fabicana, aquela sensação de que a noite de quinta merecia um pouco
mais, e
os COLunistas (todos eles, até o Pilla apareceu depois, foi um dia
histórico esta quinta, a primeira reunião do efetivo completo do COL,
inclusive o mister(ioso) Pellizzari) resolvem torrar seus últimos
centavos
(alguns já emprestados de outras boas almas, como foi o meu caso) no
Garagem Hermética. É claro que sempre tem gente que dá pra trás, e
desta
vez foi o Galera a enfraquecer a roda, mas, por nobres motivos
desportivos.
Primeira escala antes do Garagem: um pé sujo na Oswaldo. Aquele vazio
material no estômago se juntou a uma infinita relutância de se
entregar aos
prazeres da carne neste bareco, acabei não comendo; Träsel e Cardoso
se
deliciaram com um xis galinha e um xis carne, respectivamente -- se é
que
eu não estava muito bêbado para reconhecer. Mais tarde, nos lembramos
de
que a noite precisava de fumaça, então a Oswaldo desempenhou seu
papel
comme il faut. Um daqueles molequinhos trafica simplesmente gritou
comigo
"qué que tu qué magrão" perguntando, se me recordo bem, se eu queria
da
preta ou da branca. Eu reclamei do jeito como me tratou, muito pinguço
e
sentimental que estava, e depois eu e Cardoso dissemos: "da preta, é
claro"
que a gente não é lóqui bicho. Então o pinta perguntou quanto; o
Cardoso:
"dois pila". Mas o pinta: "não, não, tem que ser cinco, e pá, que eu
encho
a mão e correrio". O Cardoso e eu, muito fissurados, imediatamente
aceitamos. Ele colocou uma quantidade mínima de maconha na mão do
André,
começamos a pedir mais e mais e ele foi botando, até que se atingiu
uma
quantidade que eu julguei razoável. Neste momento, um Vectra da
polícia
militar que fazia sua ronda do outro lado da rua parava, gerando o
terror
da traficada Oswaldeana. Eu disse: "vamu corrê Cardoso!" e o Czarnobai
não
pensou duas vezes: fechou a mão e passou sebo nas canelas. Corremos
desesperadamente e entramos numa transversal da avenida, nos dando
conta de
que Pellizzari, Träsel e um outro pinta que eu não lembro o nome
porque
estava bêbado, haviam ficado para trás. Paramos, esperamos.
Estávamos
explodindo de orgulho por ter engambelado a marginália da Oswaldo,
rindo e
pensando onde poderíamos queimar aquele fuminho absurdo de bom. Não
demorou
a chegarem os três mosqueteiros, mas eles estavam acompanhados de uma
quarta personalidade: o piázinho traficante. Eu e Cardoso só nos
olhamos:
"PUUUUUTA". Tivemos que pagar os cinco pilas sem chiar e ainda ouvir
uma
tiração de sarro do moleque, que nos tirou pra guri por correr da
polícia.
Eu dei uma desculpa furada qualquer, que tô respondendo processo e pá
-- e
é verdade -- mas ele nem quis ouvir: me deu as costas estendendo o
polegar
depois de ter o dinheiro recebido. Ficamos, e eu ainda estou puto da
cara
com o Zapata guri e o Pellizzari bundão -- aqueles cinco teriam nos
deixado
bem mais bêbados depois. Mas não dá nada calça floreada: "Deus tem
muito
mais a dar que o diabo a tirar", principalmente no que se refere a
baseados. Fomos até a Barros Cassal pedindo a todo mundo por quem
passávamos um Colomy. Rangueei um maravilhoso xis coração com ovo no
Líder
e xingamos pra caralho o Bill Clinton pau no cu, isso antes de entrar
no
Garagem. Por alguma conspiração química que eu não entendi bem,
consegui
tomar uma cerveja quase tão porca quanto a horrorosa Ice Blue e ainda
gostar; o que não se evitou foi um vomitório na frente da galera
depois,
antes de queimar o fumo. Precariamente fechamos o que se revelou depois
como um baseadinho michuruca e nos chapeamo às ganha. O Garagam é uma
limpeza maravilhosa, não em todos os sentidos. Estava exposto um
telão
mostrando alguns curtas pra lá de engraçados, pelo menos eu achei,
mas
estava chapado. Logo me ajorjei, como é meu normal nestas situações,
e fui
pra casa, fritar alguns ovos, laricão. Dos cacos da noite, como
sempre,
restaram apenas as risadas. (Apenas? acho que é só o que importa.)
Mas não
se quebrou nada pra se falar em cacos. Não? Ah, era só um título
interessante, se vocês não gostaram, paciência.
A Visão do Chinelo Supremo
A cena mais chinela da semana foi o Cardoso na chinelagem
fabicana
abraçado numa mina que eu não conheço, os dois debaixo dum
guarda-chuva,
respingando-se com os chuviscos e cantando uma música que eu também
não
lembro qual é. Foi o extrato da chinelagem absoluta. Parabéns a ele.
-- Hermano
Freitas -- sete e meia da
manhã de Sexta acordado num
sobressalto com uma sede homérica a tomar água com gás co'a cabeça
explodindo jurando nunca mais tomar porre de novo nem escrever para o
COL
nem chinelear co'esta galera nem comprar fumo nos dedo e nem dar banda
na
Oswaldo de noite nem ir no Garagem nem bababá bababá bababá.
CRÍTICA LITERÁRIA AO COL
O Giuseppe Zani, meu colega na Fabico e assinante do COL, e
claro, um puta
escritor, anda se correspondendo por mail com uma formanda da Letras da
UFRGS, ele me mandou essa semana o parecer da moçoila sobre nosso
e-zine.
Deleitem-se com as observações de Débora D, seja lá quem for.
"Dei uma lida no material que me mandaste, mas nao deu pra ler todo,
primeiro pq. ele e' bem grande, segundo pq. e' muito chato ler no
monitor.
Gosto mesmo e' de ler no papel, bem tradicional. Achei umas coisas
legais,
mas o zine e' impressionista demais. O estilo e' muito pessoal. Amigos
que
escrevem para amigos, sabe? Depois, tem uns caras que so ficam no
"porra"
e nao saem disso (e se isso e'tudo o que uma "chapacao" - tao
defendida
por um outro - pode conseguir, entao estamos mal.). Nao cheguei a ver
se
tem textos teus, mas depois procuro. Vi tb. que tinha alguem
interessado em
conhecer um tal de misterioso Pelizzari. Pois eu conheco o cara. Ele
andou
cursando Letras um tempo atras (nao chegou a terminar o semestre), mas
eu
ja' conhecia ele antes, dessas estradas da vida (alias, se nao me
engano
foi por essas "virtualidades" da vida, mesmo.).
Ele e' muito esquisito.;)
Um abraco,
Debora D."
Sentiu, Pellizzari? E vocês, demais COLunistas e
COLaboradores? Sabe do
que mais? Estamos construindo um movimento literário, tipo o
modernismo,
aquele lance de semana de arte moderna de 22, sabe? Esatmos fundando
uma
escola, um estilo, e isso é muito afudê. Amigos que escrevem para
amigos. É
isso mesmo que nós fazemos.
---Cardoso
NÃO DEFORMA, NÃO TEM CHEIRO E NÃO SOLTA AS TIRAS
--- desculpas, discordianismo e pura chinelagem
Hoje a coluna está fraquésima, mas bueno. Mil perdões: escrevi na
pressa
total.
É meio sintomático estrear como colunista fixo pedindo desculpas por
não
ter
tempo de escrever algo decente. Enfim, estou me mudando, arrumando
trilhonadas de papel & assemelhados, e isso faz meu tempo ficar curto
para
dedear palavras. Para a sorte dos leitores, o número desta edição do
COL me
fez lembrar de uma coisinha que vai lhes poupar de ler 8kb de desculpas
esfarrapadas (e lhes fazer ler 8kb de encheção de chouriço).
>ALL HAIL DISCORDIA!<
Este é o COL 23, e 23 é o número sagrado do Discordianismo. Na
verdade
(dizer "na verdade" quando se está falando de Discordianismo é meio
bobo,
mas vá lá) o número sagrado é o 5, mas essa é outra história. O
Discordianismo é uma religião freak criada nos EUA, no início dos
anos 60.
É
um aglomerado de nonsense com mitologia grega, religiões orientais e
anarquismo, onde "todo homem, toda mulher e toda criança são um
Papa". O
Conluio Joshua Norton (sabem quem foi? fica pra uma próxima), que veio
a
originar todos os outros, se definia como "somos uma tribo de
filósofos,
teólogos, magos, cientistas, artistas, palhaços e maníacos similares
que
estão intrigados com ÉRIS, DEUSA DA CONFUSÃO, e com Seus Atos".
Você aprenderá mais e entenderá menos sobre os discordianos se ler
seu
livro
sagrado, o Principia Discordia. O nome completo do livro é "Principia
Discordia (ou Como Encontrei A Deusa e o Que Fiz a Ela Quando A
Encontrei),
Onde Se Explica Absolutamente Tudo Que Vale a Pena Saber Sobre
Absolutamente Qualquer Coisa", e foi escrito pelo profeta Malaclipse, o
Mais Jovem. Por trás deste simpático heterônimo estão Greg Hill e
Kerry
Thornley, dois
vagabundos pós-beatniks e pré-hippies que disseram ter escrito o
Principia
após serem contactados por Éris, a deusa grega da discórdia. Para
quem não
lembra, Éris foi a causadora da guerra de Tróia, quando forçou uma
disputa
para decidir quem era a mais bela de todas as deusas. O pomo da
discórdia,
feito de ouro e com a inscrição "kallisti" ('para a mais bela') é um
dos
símbolos do Discordianismo.
O Principia começou de leve, mimeografado e distribuído em escolas e
universidades, e em poucos anos tinha virado um verdadeiro culto.
Existem
milhões de histórias esdrúxulas conectadas com o Principia, a
maioria cheia
de nuances paranóides. Só para dar uma noção, Kerry Thornley foi
companheiro
de quarto de Lee Harvey Oswald, e algumas das primeiras cópias do
Principia
foram tiradas no escritório de Jim Garrison (o advogado que defendia a
tese
conspiratória para o assassinato de JFK). Os membros mais antigos da
religião até hoje juram de pés juntos que a saudação dos hippies
é um
plágio
do cumprimento discordiano (dois dedos para cima, três para baixo...
oh!
23!).
Depois do lançamento da trilogia "Illuminatus!", de Robert Anton
Wilson e
Bob Shea, a religião explodiu no weirdo underground dos EUA e da
Europa,
arrebatando milhares de adeptos auto-proclamados. Hoje em dia existem
alguns
herdeiros criativos da religião discordiana (como a Church of the
SubGenius
e a Church of Euthanasia), além de RPGs ("Illuminati", "INWO"), um
provedor
(http://www.io.com), vários websites, um grupo de Usenet
(alt.discordia) e
mil outras paradas de nerd metido a freak. É fácil reconhecer um
discordiano: ele vê fnords por toda parte e sempre está procurando
ocorrências bizarras do número 23.
Mas é isso aí. Para quem é chegado em nonsense e excentricidades, O
"Principia Discordia" é um livro essencial. Dá pra encontrar versões
ASCII
na web (tem uma em http://www.cs.cmu.edu/~tilt/principia/), mas legal
mesmo
é ler a versão original, cheia de colagens meio Monty Python e com
uma
diagramação poooodre de chinela. É hilária, insuperável e
baratésima (tem
na
Amazon).
Para delírio da massa sonolenta, grudarei aqui três pedaços do
Principia,
numa tradução ligeira que fiz em uma noite de insônia (como todas as
outras):
___________________
O PENTABARF : OS CINCO MANDAMENTOS DISCORDIANOS
*O PENTABARF foi descoberto pelo ermitão Apóstolo Zaratud no Quinto
Ano da
Lagarta. Ele o encontrou gravado em pedras gêmeas, enquanto construía
um
teto solar para sua caverna, mas seu significado se perdeu, pois estava
escrito em uma cifra misteriosa. Entretanto, após 10 sem & 11 hs de
escrutínio intensivo, ele discerniu que a mensagem poderia ser lida se
ficasse de cabeça para baixo e a lesse invertida.
SAIBA DISTO, Ó HOMEM DE FÉ!
I - Não há Deusa além da Deusa e Ela é Sua Deusa. Não há
Movimento Erisiano
além do Movimento Erisiano e é o Movimento Erisiano. E cada Batalhão
da
Maçã
Dourada é o adorado lar de um Verme Dourado.
II - Um Discordiano Deve Sempre usar o Sistema Discordiano Oficial de
Numeração de Documentos.
III - Durante sua primeira Iluminação, se Requer de um Discordiano
que Saia
Sozinho & Partilhe Alegremente de um Cachorro-Quente na sexta-feira;
esta
Cerimônia Devocional serve para Protestar contra os Paganismos
populares do
Dia: da Cristandade Católica (nada de carne na sexta-feira), do
Judaísmo
(nada de carne de Porco), dos Povos Hindus (nada de carne de Gado), dos
Budistas (nada de carne de animal) e dos Discordianos (nada de Pães de
Cachorro-Quente).
IV - Um Discordiano não deve Partilhar de Pães de Cachorro-Quente,
pois
Este
foi o Consolo de Nossa Deusa quando Ela foi Confrontada com a Esnobada
Original.
V - Um Discordiano é Proibido de Acreditar no Que Lê.
ESTÁ ESCRITO! QUE ASSIM SEJA. AVE DISCORDIA!
OS QUERELANTES SERÃO TRANSGRESSICUTADOS.
_______________________
UMA HISTÓRIA ZEN
por Camden Benares, O Conde de Cinco
Diretor do Conluio Campo Dócil
Um jovem sério achava perturbadores os conflitos norte-americanos da
metade
do século XX. Dirigiu-se à muitas pessoas procurando uma maneira de
resolver
dentro de si a discórdias que o aborreciam, mas permaneceu aborrecido.
Uma noite, em uma cafeteria, um Mestre Zen Auto-Ordenado lhe falou,
"Vá até
a mansão dilapidada que encontrarás neste endereço que te escrevi.
Não fale
com os que vivem lá; deves permanecer em silêncio até que a lua se
levante
amanhã à noite. Vá até a grande sala à direita do corredor
principal, sente
em posição de lótus no topo dos escombros do canto nordeste, vire-se
para o
canto e medite".
Ele agiu como instruído pelo Mestre Zen. Sua meditação foi
interrompida
freqüentemente por preocupações. Ele se preocupava se os
encanamentos
cairiam ou não do banheiro do segundo andar para se juntar aos canos e
outros lixos sobre os quais ele estava sentado. Ele se preocupava sobre
como
saberia quando a lua se erguera na próxima noite. Ele se preocupava
com o
que as pessoas que caminhavam pela sala diziam a seu respeito.
Sua preocupação e meditação foram perturbadas quando, como em um
teste de
sua fé, merda de passarinho caiu sobre ele do segundo andar. Naquele
momento, duas pessoas entraram na sala. A primeira perguntou à segunda
quem
era o homem que estava sentado ali. A segunda respondeu: "Alguns dizem
que
ele é um homem santo. Outros dizem que ele tem merda na cabeça."
Ouvindo isto, o homem se iluminou.
_____________________
ENTREVISTA COM MALACLIPSE, O MAIS JOVEM
Alguns excertos de uma Entrevista com Malaclipse, o Mais Jovem, pelo
BOLETIM
E RELATÓRIO INTERGALÁCTICO DO MAIOR YORBA LINDA
DIÁRIO-FOLHA-NOTÍCIAS-HORA-JORNAL-CIRCULAR-FOLHETO METROPOLITANO E DO
CONLUIO SOCIEDADE DISCORDIANA DE SAN FRANCISCO & PAPA PUP.
GRANDE PUP: Você é sério ou o quê?
MAL-2: Às vezes eu levo o humor a sério. Às vezes eu levo a
seriedade com
humor. De qualquer forma, é irrelevante.
GP: Talvez você seja apenas louco.
M2: Sem dúvida! Mas eu não rejeito estes ensinamentos como falsos
porque
sou
louco. Eu sou louco porque eles são verdadeiros.
GP: Éris é real?
M2: Tudo é real.
GP: Até as coisas falsas?
M2: Até as coisas falsas são verdadeiras.
GP: Como pode ser assim?
M2: Não sei, cara, não fui eu quem as fez.
GP: Por que você lida com tantas negativas?
M2: Para dissolvê-las.
GP: Você desenvolverá este ponto?
M2: Não.
GP: Há algum sentido essencial por trás da POÉE
(Parateo-Anametamisticandade
de Éris Esotérica)?
M2: Há uma História Zen sobre um estudante que pediu a seu Mestre
para
explicar o Budismo. A resposta do Mestre foi "três toneladas de
linho".
GP: Esta é sua resposta à minha pergunta?
M2: Não, claro que não. Isto foi apenas ilustrativo. A resposta para
sua
pergunta é CINCO TONELADAS DE LINHO!
____________
Ah, quase esqueci de falar sobre o 23.
O pomo da discórdia é uma maçã. Corte uma maçã ao meio. Está
vendo a
estrelinha de cinco pontas? São três pontas para cima e duas para
baixo.
Isso dá 23.
O povo discordiano tem listas intermináveis de coincidências imbecis
(ou
não) com esse número maledetto, que de acordo com eles prova "A Lei
dos
Cinco" (leia o Principia para entender a farofa). O negócio é muito
divertido e vicia horrores. Eu mesmo já descobri trololós de
ocorrências
bizarras do número. É uma prática religiosa adoravelmente inútil,
experimentem.
Quem der uma passadinha no 23 Skidoo
(http://www.impropaganda.com/23.html)
vai ficar apavarotti com a lista das figuras.
>THE TABLE IS UNDER THE BOOK<
Já que dei links em inglese, não custa nada o povo ocioso dar uma
conferida
em um excelente livro do Kerry Thornley, um dos responsáveis por toda
essa
lambança discordiana. o título é 'Zenarchy', e dá pra dizer que
reflete
muito do que eu penso em relação à política e à existência como
um todo. só
não me peçam pra discutir essas coisas, não tenho muita pazienza
para
labirintose semântica e não sou muito chegado em falar. Tá, só
quando bebo.
Mas eu não bebo. Ahn. Tá. Deixem pra lá.
Mas o 'Zenarchy' é mó legal. Quem quiser que dê uma lida:
http://www.impropaganda.com/zenarchy.html
>SÓ PRA CONSTAR<
TCHARNOBALA, TRÄSEL, HERMANO, PILLA E
CARA-DE-BONÉ-CUJO-NOME-ESQUECI-MAS-ACHO-QUE-COMEÇA-COM-F: que
noitinha a de
quinta, hein? que noitinha. Estou até agora me recuperando. Ah,
falando
nisso, tem um recado especial:
HERMANO: quando tu vai vir aqui lavar minha roupa, bimbo?
>CRÉDITOS<
TRILHA SONORA: meu irmão jogando o novo Zelda do N64
REMEMBER: Allen Ginsberg (você já leu o "Uivo" hoje?)
COISA A FAZER: arrumar minha linda casinha
HAIL ERIS!: -><-
--- Daniel "Big Boobs"
Pellizzari
A FAMIGERADA SEÇÃO DE RECADOS
ARNALDO GIRALDO: Valeu mesmo pelo apoio, obrigado!!!
HERMANO: Nem esquenta, pode escrever o que te der na telha, nem te
preocupa, eu sei que tu não escreve nada pra tirar ninguém, a prova
é que
tá tudo aí. Big up's, *** Bill Clinton!!! Falando nisso, querendo
ser
fixo, me dá um toque, feito?
MOJO: Nem esquenta, tua coluna tá a pior que tu escreveu, talvez
porque
esteja muito, muito maluca, mas mesmo assim, a tua pior coluna é muito
boa,
mas muito boa mesmo (inspirado pelo comentário do CD do Beck hoje na
ZH)..
Os sites são ducaralho!!!
VIRTUAL STRIKE
Em todo o Brasil, dia 13 de Janeiro de 1999, será realizada a
1a greve
internacional da internet, contra os altos valores cobrados pelos
provedores nacionais em relação ao preço mundial que está em torno
de U$
10.00 por tempo ILIMITADO.
NAO ENTRE NA INTERNET DIA 13/01/99 - QUARTA FEIRA.
---Cardoso
FARRAPOS, SEGUNDA À ESQUERDA
A coluna de hoje vai ser cachorreira... pois acabei de chegar
de Floripa
depois de 6 horas de viagem de carro, numa grande ressaca e torrado
pelo
sol matador do fim de semana... Sábado, depois de uma semana inteira
sem
beber, fui pros bares da Lagoa da Conceição e tomei um fogo
violentíssimo,
pra celebrar a vida. Mas não importa o que eu fiz no findi, importa
que
agora tenho que escrever uma coluna.
*** UM SITE: Bom, pra começar a cachorragem, vou transcrever aqui o
Editorial da edicão deste mês de um site que recomendo muito aos
leitores
do COL: se chama "A Fábrica" e fica em:
http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/7300/
O site publica artigos originais sobre cultura, mídia e comportamento,
e
aceita participação dos leitores. No site tem debate de primeiro
nível
sobre temas como jornalismo, aborto, Padre Marcelo, lixo cultural,
dezenas
de assuntos interessantes. A edição de dezembro tem, alem de vários
outros
artigos, uma matéria sobre sexo, poder e mídia, e uma pesquisa pra
eleger o
ganhador do
Troféu Vômito do Ano, com concorrentes de calibre da Xuxa, Faustão,
Leonardo, Pedro Bial...
Bom, vamos ao tal editorial, que me chamou atenção e resolvi fazer
Copy
Paste aqui no COL:
"Não vamos desejar-lhe Feliz Natal e muito menos um Próspero Ano
Novo. A
FÁBRICA não acredita nesses desejos extemporâneos, que enchem os
corações
de uma eloquente mas provisória fraternidade, baseada na lenda cristã
que
atravessa os séculos. Fugimos desses lacrimosos sentimentos que são
ampliados por esta caricatura de festas européias transplantadas para
os
tórridos trópicos. Nada mais ridículo do que pinheiros, renas e
nevascas
que despencam dos céus artificiais instalados nos shopping centers, e
nas
residências que abrigam almas capturadas pelo brilho de um período de
louvores sentimentais. A felicidade que desejamos a todo nosso
semelhante,
nesta época do ano, não tem consistência porque soa como refrão que
se
perpetua há tantos anos em nossa memória afetiva que nem mesmo
sabemos o
que significa. Felicidade é coisa que se ganha num
átimo de segundo, para perdê-la logo depois, num moto contínuo que
sempre
desafia a nossa esperança, pois viver a felicidade é sublime. É uma
pena
mas não existe fieira de felicidade à venda nos shoppings.
Prosperidade
depende de justiça social, distribuição equânime da riqueza que
todos
produzimos juntos em benefício de cada um, mas que anda emperrada em
recantos bem definidos da pátria amada, salve, salve. Esta visão da
FÁBRICA
do "Feliz Natal e Próspero Ano Novo" não significa pessimismo ou
derrotismo
- apenas não queremos pregar na cara o cinismo que nos faz sorrir ao
desejarmos estes votos ao próximo que odiamos
silenciosamente mas que, no final do ano, tratamos como amado irmão. A
FÁBRICA acredita que é sempre possível ao ser humano cultivar, na
medida do
possível, certa autenticidade de sentimentos e comportamentos que
evitam
transformá-lo num boneco de perversas mesquinharias. Nosso desejo,
então,
é este: não faça do final do ano nenhum ponto de partida para
revoluções
internas que perdem o fôlego ao amanhecer da primeira ressaca.
Revolução
por revolução, preferimos esta mesma que se dá todos os dias e na
qual
conquistamos - ou não - o direito de bater ponto na fábrica da Vida."
Legal uh? Visitem o site, vale a pena!
*** OUTRO SITE: pra quem já usa a internet faz tempo, como eu, fica
cada
vez mais difícil encontrar um site que nos faça voltar a visitá-lo
toda
semana, pela qualidade do conteúdo. Com o tempo, esses sites da
internet
começam a parecer todos meio óbvios e repetitivos... mas tem alguns
que
inovam ou supreendem pela qualidade do que é publicado. Então, além
da
"Fábrica", vai aqui mais uma sugestão na linha de "sites legais pra
visitar
regularmente": é o "PITCHFORK" (http://www.live-wire.com), um webzine
que
apresenta resenhas de CDs, entrevistas, matérias especiais sobre
música,
fotos de shows e colunas (no sentido COL do termo). O que vale aqui é
a
qualidade dos textos e críticas, e sobretudo a qualidade das bandas
abordadas: é tudo música alternativa atualíssima e da melhor
qualidade. Os
caras que fazem o site realmente entendem de música. As resenhas são
interessantes e altamente confiáveis, e QUATRO novos discos são
analisados
diariamente... ou seja, vale a pela conferir todo dia. As entrevistas
contemplam artistas como Man or Astro Man?, GilrsVSBoys,
Atari Teenage Riot, Yo la Tengo, Ben Harper, Crystal Method etc. Além
disso
tem as matérias especiais ("50 piores solos de guitarra da história",
"Bebês Mortos Pertencem à Cadeia", ...) e as colunas, geralmente
completamente viajantes e muito bem humoradas. Os textos de um dos
colunistas, chamado Jason Josephes, são muito afude! Ele fala
basicamente
da vida dele próprio, mas tem algumas colunas impagáveis, onde
aparecem
temas como viagens de ácido, a amiga bissexual que distribui boquetes
a
torto e a direito, discussões com feministas, explanações acerca da
misoginia, relatos de festas esquisitíssimas (numa delas, ele encontra
a
namorada dando pro melhor amigo dele) etc. Mas
seja pela qualidade do material sobre música, seja pelos relatos
pessoais
pornográficos, este é um site que vale a pena conferir.
Ok, acabou a coluna. Acreditem. Duas sugestões de sites e... só. Eu
falei
que ia ser cachorreira. Tou com sono, sede, dor de cabeça e coberto de
queimaduras. Como fazia um certo candidato a deputado na recente
eleição,
no seu espaço do horário eleitoral gratuito, dizendo "meu nome é
tal, eu
não tenho propostas, mas peço que votem nos meus colegas de partido",
digo
agora "eu sou cachorreiro, minha coluna não presta logo leiam os
fantásticos textos de meus colegas colunistas e colaboradores deste
fanzine". Boa noite a todos.
--
Galera
DEDOS TRÊMULOS DE UMA CABEÇA CONFUSA, TORTA FRIA NA BARRIGA NEW BECK
HANSEN'S SONGS E NÃO SABER O QUÊ NEM COMO ESCREVER
Um aviso: As linhas seguintes - pobre linhas seguintes - serão
colocadas
uma abaixo da outra sem nenhuma preocupação ou pretensão literária.
Compostas por frases usuais, elas, as linhas, farão parte de um
esforço,
de um exercício pessoal para entender, ou melhor, tentar entender o
que
aconteceu comigo nesta confusa semana que passou.
Um aviso II: Esta semana, para efeito de estudo, será transformada
em
apenas um dia, um dia composto, um dia sintético, pois como já disse,
foi uma semana confusa e este pobre rapaz mais - confuso ainda - não
consegue lembrar se certo acontecimento ocorreu na na quarta, no
sábado, na sexta ou nen aconteceu de verdade. E sim, apenas consegue
distinguí-los nas classes: Aconteceu de manhã; foi de tarde, eu tenho
certeza; acho que foi de noite, é sim, foi de noite porque já tava
escuro.
Por sua vez, este dia sintético será diferente dos dias
comuns.
Devido ao fato de ser uma montagem, ele possuirá 2 manhãs paralelas.
A
primeira manhã é a manhão seguinte à noite do dia sintético. Ela
se
dará primeiramente na casa do camarada Cardoso - grande André,
valeu,
ao dar abrigo a seu colega interiorano, você evitou um homicídio de
um
pobre rapaz que teria feito a loucura de pegar um Sogil de madrugada
sozinho pra voltar para Gravataí. E secundariamente na aula de
Mercadologia do professor Darwin, vendo a hierarquia das necessidades
segundo Maslow: 1) necessidades físicas - fisiológicas e de
segurança;
2) n. sociais - de relacionamento e amor e de estima e status; 3) n.
próprias - auto-realização. A manhã paralela à manhã seguinte à
noite do
dia sintético é a manhã que fará a transição para o turno da
tarde.
Esta manhã é marcada por um acontecimento meio estranho: 10:03 AM
acordo
e vou cortar a grama. Tranqüilamente com as lâminas do cortador vou
decepando as pontas das folhas da grama. A minha frente vejo um
formigueiro. Sem pensar muito, passo com o cortador de grama em cima do
formigueiro. Mais tarde, agora ajuntando os montinhos de grama com uma
pazinha de ferro, vejo um passarinho caminhar despreocupadamente em
volta de mim. Tenho, então, uma súbita vontade de dar-lhe uma pazada
na
cabeça. Mas não dou. O que que os outros iram pensar de mim se me
vissem
matando aquele pobre bixinho? Alguns instantes depois vou até a casa
de
amigo meu que nora na mesma rua - já havia acabado minha tarefa - e ao
chegar lá vejo na grama o passarinho - o mesmo? não, não pode ser! -
morto sendo devorado por formiguinhas. Me sinto um pouco mal, um pouco
culpado. Entro na casa do cara e começamos a jogar sinuca - o cara tem
uma mesa em casa. Sempre quando eu ia dar uma tacada vinha o chato do
cachorro do cara me atrapalhar. Me irritei e dei um pezaço na porcaria
do cachorro. Após jogarmos várias partidas, decidimos, então, ir na
locadora de minha mãe buscar uns CDs. No caminho - a locadora fica a
algumas quadras da minha casa - encontro um cachorro morto, durinho, de
pernas pra cima. Putz! Não pode ser! Eu juro, eu não fiz nada. Nem
pro
passarinho, nem pro cachorro. Fico congelado no meio da calçada. Vejo
-
ou, ao menos, acho que vejo - as pessoas apontando o dedo pra mim e
dizendo: foi ele, foi ele. Não me arrisco a me mexer, a sair daquele
lugar. E se eu continuasse a caminhar? O que aconteceria? Seria algo
maior da próxima vez? Talvez da proxima vez seria até uma pessoa, um
ser
humano. Não, não. Daqui não saio, daqui ninguém me tira! A tarde
desse meu dia sintético não será uma tarde composta de outras tardes
mas
apresentará resumido em uma só as 38,7 vezes que peguei ônibus nesta
semana. Esta única viagem terá o itinerário Porto Alegre-Gravataí,
suprimindo assim, os coletivos que faziam Gravataí-POA, os que faziam
centro-faculdade e faculdade centro. Também nesta tarde será
levantado
um acontecimento que me aborreceu muito - mesmo que possa parecer
besteira, bobagem. Ao chegar na locadora observo que ao lado esta
estacionado - esta estacionado, esquisito, deve ser redundante dizer
isso - um fiorino cheio de CDs. É o cara que vende CDs pra locadora!
Feito! Ainda bem que não comprei o Mutations do Beck lá na Saraiva
Mega
Store por 26,6 pilas. Agora teria o mesmo produto por apenas 15,3 -
arrego de que tem locadora. E aí carinha tem o último do Beck? Tem?
Então dá isso pra cá. E o último do Mundo Livre S/A? Daí o cara me
mostra o Guentando a Oia - que não é o último do M.L.S/A. Fico puto
da
cara! Como é que um cara que trabalha só nisso - vender CDs - não
vai
saber que aquilo não é o que eu havia pedido. Ele não precisa gostar
das
músicas, mas, pelo menos deve ter a informação de que aquele produto
que
me mostrou não era novidade não e sim um CD já lançado há dois
anos.
Enquanto vou dentro da loja buscar o dinheiro pra pagar o carinha, meu
amigo fica olhando as caixas cheias de CDs. Pago o cara e vou pra casa
escutar a nova aquisição. Lá em casa, no tempo que coloco o CD no
aparelho, meu camarada vai lendo a zero de domingo.Revista ZH e pá. -
Olha aqui cara? Este CD que tá na capa da Revista ZH o carinha dos CDs
tinha, e tinha de montão! Qual?, eu pergunto. Resposta: o novo CD do
Otto. Putz! Pra quem não sabe Otto fazia parte do Mundo Livre e agora
tá
lançando disco solo - muito bom por sinal. Comuéqui o disgraçadú du
carinha não mi mostrô a porra du Cedê ?! Pra mim parece óbvio que
quem
queria o último CD do Mundo Livre, iria ao menos se interessar pelo CD
do Otto. Resultado Final: o cara deixou de vender CD a mais e eu sem o
CD do Otto pra escutar. Na mesma Revista ZH tinha um comentário sobre
o
CD do Beck, mas isso é outra história. Onde eu parei... onde é que
eu
parei mesmo... onde é que eu... ah, me lembrei: A noite desse dia -
essa
sim eu me lembro quando foi, foi na noite de quinta pra sexta - será
uma
noite simples, contínua - simples no sentido que não é compostas por
outras noites -, mas que ao contrário das noites ordinárias, ela
começará mais ou menos pelo meio dia. Calma aí, eu já explico. De
meio
dia porque nesse dia - quinta - teria a tal de Chinelagem na Fabico
Táva
meio frio, chovendo, eu não ia ficar pro negócio, mas como eu tinha
aula, tive que sair de casa - ao meio dia. Depois da aula - lá pelas
quatro da tarde começo a jogar sinuca na facul e a galera começa a
arrumar a tal de chinelagem. Olhando aquelas caixas de cerveja Polar
resolvo ficar mais um pouquinho. Telefono pra mãe: - Ó, vou voltar
só
pelas déis da noite. Tá bem? Feito. Começa a chinelagem. Feito. 2
cevas
= 1,5 pila. A sinuca enchendo. Rock galdério comendo solto- vou parar
de
descrever a Chinelagem pq os outros devem ter contado bem melhor do que
poderia ter feito. Mas vou insistir num ponto em que - acho eu - os
outros não comentaram: andar de elevador. Isso mesmo: andar de
elevador
e parar no terceiro andar. Parar no quarto andar. Depois parar no
quinto
andar. Depois descer parando novamente no quarto e terceiro andares.
Depois disso eu fiz parte do grupo de chinelos que extendeu - é com x?
deve ser, deve vir de extenso - bom, encumpridou a xinelajem até a
Garajem Ermética. Telefono pra mãe: - Mãe, não vou voltar hoje
não? Vou
ficar aqui em Porto, vou ficar na casa do Cardoso. O telefone é...
Daí,
apezito, fomos da facul até o Garagem. Ah se minha mãe soubesse que
eu
tava caminhando na oswaldo!
Após organizar a semana em apenas um dia, vou tentar dar uma
explicação a tudo isso!
Mas não sei se vou conseguir. Só sei que tô sentindo algo como...
como... que essa semana foi clarissatisfatória! Calma aí, eu explico
essa aberração lingúística. Clari de claro. Agora está claro, eu
só
podia estar fazendo esta faculdade - nada de engenharia ou outra coisa
qualquer. Pois é aqui - faculdade de comunicação - que os caras tem
a
info que me interessa - e como o que aconteceu com o carinha do CD - se
ele tivesse a informação certa, ele teria mais dinheiro e eu mais som
-
eu preciso dela pra não perder mais nada. Satisfatória porque é aqui
que
eu completo a hirarquia do Maslow. Fisiológicas: ceva Polar;
Segurança:
Fabico e algum canto pra dormir cuando preciso; Sociais: a galera me
escutando - ou lendo meu texto; Próprias: fazendo textos e podendo
escrever ESTE NEGÓCIO CONFUSO.
Valeu.
---Fbwyz, o Felipe
Becker
ECOS DO PILLA
Segunda - hoje - tem comemoração dos 20 anos da Otto Guerra
Desenhos
Animados no Garagem.
Não sei quanto, nem como, nem se pode, mas o Pilla falou que o
Zanella
mandou convidar todo mundo.
---Cardoso, depoimento
do Pilla
CardosOnline
http://galera.simplenet.com/col/index.html
Email - chinelo@xxxxxxxxxxxxxxxxx
Staff:
O famoso Cardoso: André Czarnobai
O famoso Galera: Daniel Galera
O famoso Pilla: Guilherme Pilla
O famoso Presunto: Marcelo Träsel
O famoso Mojo: Daniel Pellizzari
Colaboradores:
O famoso (a um passo de ser) colunista: Hermano Freitas
O famoso carinha de boné que ninguém lembra o nome porque tava
bêbado ou
chapado ou os dois: Felipe Becker
Para cancelar a assinatura e parar de receber o COL, basta enviar uma
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