Além da queda o coice



Conseguindo apenas protelar sua cassação, Dirceu ainda é alvo do ministério
Público.
R.


BRASÍLIA - O procurador da República Luciano Sampaio Rolim encaminhará
homem à Justiça uma ação de improbidade administrativa contra o deputado
José Dirceu (PT-SP), o filho dele, prefeito Cruzeiro d'Oeste (PR), José
Carlos Becker de Oliveira, mais conhecido como "Zeca Dirceu", e o
ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz.

José Dirceu, 'Zeca Dirceu' e Diniz são acusados de terem usado, em 2003, e
2004 a estrutura do governo federal, recursos públicos e o acesso
privilegiado que tinham a autoridades para favorecer a candidatura do filho
do deputado a prefeito, cargo para o qual foi eleito em outubro de 2004.

Uma cópia da ação será encaminhada também ao procurador-geral da República,
Antônio Fernando Barros de Souza, com pedido de abertura de inquérito
criminal por tráfico de influência e advocacia administrativa. A denúncia
de Rolim chega num momento delicado para José Dirceu, que responde a
processo de cassação do mandato na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar
da Câmara. O procurador da República negou, porém, que a ação de
improbidade tenha qualquer motivação política. "Foi mera coincidência que
as investigações tenham sido concluídas agora", afirmou.

Segundo Rolim, os depoimentos de funcionários da Casa Civil e as provas
materiais colhidas não deixaram dúvida de que o ministério mantinha uma
infra-estrutura destinada a carrear recursos para as cidades da base
eleitoral de "Zeca Dirceu".

Mesmo sem ser parlamentar e nem sequer exercer cargo de primeiro escalão no
governo do Paraná, ele tinha trânsito livre na pasta, usava as secretárias
para marcar as reuniões e tinha a serviço o ex-subchefe de Assuntos
Parlamentares da Casa Civil, levado para a administração federal pelo
deputado do PT de São Paulo.

Na Casa Civil, conforme mostra o procurador nas 119 páginas do processo,
foi montado um balcão exclusivo para atendimento de pai a filho, destinado
à aprovação de emendas apresentadas por "Zeca Dirceu" para municípios do
noroeste do Paraná, quando ele era pré-candidato a prefeito.

As investigações constataram que Diniz, afastado da Casa Civil em fevereiro
de 2004, após a divulgação da fita de vídeo em que aparece negociando
propina com o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos
Cachoeira, praticou com outros assessores irregularidades na assinatura de
convênios com órgãos públicos para favorecer cidades apadrinhadas pelo
prefeito de Cruzeiro d'Oeste. O nome de "Zeca Dirceu" aparecia nas emendas
ora por extenso, ora disfarçado com as iniciais JCB.

Conforme a denúncia do procurador, processos eram montados com
retroatividade para que fossem anexados documentos, pareceres e outros
requisitos fora de data. Só em duas áreas cuja análise foi fechada pelo
Ministério Público (MP), a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) e o
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, na gestão da
ex-ministra de Promoção e Assistência Social Benedita da Silva, as
liberações de recursos em processos intermediados por "Zeca Dirceu" somam
cerca de R$ 2 milhões.

Para disfarçar o tráfico de influência, de acordo com Rolim, a assessora
parlamentar do deputado Airton Roveda (PMDB-PR), Isabel Carneiro Silva,
confessou que fazia ligações do celular para que o prefeito conversasse com
o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, durante reuniões em
que eram aprovadas verbas. "Zeca Dirceu" veio diversas vezes a Brasília
entre 2003 e 2004, à frente de caravanas de prefeitos do noroeste do
Paraná.

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